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2 de maio de 2016

Contautor | The Weatherman - Eyeglasses For The Masses

No ano em que assinala a primeira década de carreira Alexandre Monteiro, no mundo da música The Weatherman, lança disco novo. "Eyeglasses For The Masses" é apresentado aqui na primeira pessoa, faixa a faixa.



1- At The In Between
A maior parte das minhas canções de amor são sobre rupturas. Esta não foge à regra. Lembro-me que a decisão de a colocar em primeiro lugar no alinhamento foi unânime, por ser uma música que resume bem bem o que é a sonoridade de The Weatherman.

2- To The Universe
Aqui já não se fala propriamente de rupturas, mas sim de inacção. Deixar para o universo resolver aquilo que nós, por alguma razão, deixamos incompleto, o que por sua vez poderá levar a mal entendidos. É isso que digo na parte “we misunderstood that we could get along).

3- A Kind Of A Bliss
Da mesma forma que “Calling All Monkeys” é um alerta vermelho sobre o comportamento da Humanidade como um todo, “A Kind Of A Bliss” é a mesma coisa, mas sobre a solidão da vidas nas grandes cidades. É sobre o estar só, não sobre o estar em solidão, aquele sentimento de vazio que mesmo quem vive no seu dia-a-dia rodeado de pessoas sente por vezes.

4- Now and Then
Aqui tentei recuperar aquele lado mais irracional, ou até infantil, de quando as pessoas estão apaixonadas. Os pensamentos mais básicos que surgem. “Why can’t we be together, why can’t it be forever?) parece-me resumir bem isso.

5- Eyeglasses for the Masses
Numa tarde de sol estava eu no piano, a tocar coisas aleatoriamente. Quando dei por mim, estava a tocar este instrumental, repetidamente, até que percebi que poderia ter aqui algo de especial. A decisão de baptizá-la com o nome do disco só surgiu já quando tinha tudo gravado.

6- Endless Expectations
Esta música na verdade são três partes que foram compostas em separado. A forma como elas encaixaram foi para mim quase mágica. É provavelmente a minha faixa favorita deste disco. Para mim é sobre ter-se demasiadas expectativas em relação a algo e isso ter como consequência, mais cedo ou mais tarde, sofrer-se um choque de realidade.

7- Unpack My Mind
Outra vez sobre rupturas. Desta vez é sobre o que se sente quando se recomeça tudo da estaca zero.

8- Ice II
Lancei esta canção no meu facebook no Verão passado. Passado uns meses decidi regravá-la em estúdio, e lancei-a novamente (daí o título Ice II), agora mais “oficialmente”, tornando-se assim na primeira amostra deste disco.

9- One Of These Days
Lembro-me de ter começado a escrever esta música quando andei pela Holanda a dar uns concertos, em 2013, se não estou em erro. Fala um pouco da nostalgia de se andar na estrada, e de reflectir que tudo isto um dia poderá não ser mais possível… gravar discos e tocar. Então pensei na melhor mensagem que eu poderia deixar se esse dia chegasse, e surgiu-me esta: “one of these days the light will prevail over the darkness”.

10- Good Dreaming
Estava a tentar tocar o “River “ da Joni Mitchell, e de repente os acordes levaram-me para outro sítio, e foi assim de uma assentada que nasceu esta música, numa noite solitária em minha casa, regada a whisky.

4 de maio de 2015

Contautor | Lotus Fever - Search For Meaning

Os lisboetas Lotus Fever apresentam-nos, faixa a faixa, Search For Meaning, o seu álbum de estreia e um dos discos nacionais do ano para o The Music Spot. Podem vê-los em palco já no dia 15 deste mês no Museu de Arqueologia, num concerto integrado no Belém Art Fest.


1. An Awakening
Esta música funciona como introdução ao álbum e também à "Freedom". Experimentem ouvi-las de seguida...

2. Into The Light
É um dos temas mais antigos do álbum, e é quase como que uma ordem para agir. Gostamos bastante de toca-la ao vivo pela energia que tem.

3. Collapse
Foi a primeira música a ficar totalmente pronta e uma das que mais gostamos. Talvez por ter um pouco de tudo e por não termos posto nenhuma espécie de restrição quando a estávamos a compor.

4. Introspection
Focámo-nos muito no groove da música quando a estávamos a desenvolver, e sabíamos que queríamos acabar com algo psicadélico o suficiente para entrarmos na parte mais "obscura" do álbum.

5. Volatility
Esta foi sem dúvida a música que mais dores de cabeça nos deu. A estrutura sempre esteve mais ou menos definida, mas experimentámos uma quantidade absurda de instrumentos e moods. Foi exactamente por isso que nos decidimos pelos contrastes, e nas diferentes secções ter sempre uma abordagem diferente. Gostamos especialmente da parte "Jazz", como gostamos de chamar, com o solo de trompete.

6. Set In Stone
É a música mais antiga do álbum, já estava praticamente toda pensada ainda nos tempos do EP. Por isso também quisemos introduzir coisas realmente novas, como a batida electrónica. Deu-nos algum gozo gravar um solo de bateria numa música que parece ser balada ao piano.

7. Oceania
Foi das músicas onde mais trabalhamos todos os pormenores a nível de som. Era crucial que o tema fosse um crescendo até à explosão final.

8. Freedom
O conselho é o mesmo: oiçam a An Awakening e logo a seguir esta.

9. Split Step
Começou por ser uma música instrumental que tocávamos nos ensaios. O Manel era especialmente obcecado pela música, só queria tocar o "Prelúdio", que era como chamávamos aquele bocado de música. Evoluiu para uma coisa completamente diferente, mas os restos desse "Prelúdio" ainda estão lá, no fim.

10. Mild Temptations
Queríamos fazer algo mais rock, mais pesado, mas que não caísse no óbvio. Achamos que o conseguimos de certa forma, ninguém espera aquele "circo" (outra alcunha) no meio da música.

11. Fulfilled
É uma música instrumental do álbum e quisemos criar uma espécie de caos de melodias. Para os mais atentos, reparem nas melodias de outras músicas do álbum que vão aparecendo.

12. Because I'm I
É a última música do álbum e funciona como um resumo de tudo o que foi dito e tocado. É uma viagem dentro da própria viagem. Tivemos um coro de crianças a cantar nesta musica e foi uma experiência muito porreira."

9 de setembro de 2014

Contautor | A inspiração para as letras de "Oceans of Tears" dos Rainy Days Factory

Rainy Days Factory é um projeto musical que surgiu quando os antigos músicos dos Diva, Pedro Solaris, Óscar Coutinho e João Vitorino (aos quais se associaria depois Pedro Code) se juntaram numa pequena sala de ensaios, na busca de sons atmosféricos que ajudassem a voz a interpretar letras emocionalmente envolventes. Desse trabalho surgiria um primeiro EP e em 2013, Oceans of Tears, o primeiro longa-duração. Fica o testemunho da banda acerca da inspiração para as letras das canções do disco e um convite a uma atenta audição de Ocean of Tears.

All About Love
Estamos no carro e viajamos numa estrada sem destino.
Talvez esta seja a última viagem.
Parece estar um dia calmo e em câmara lenta.
Olho pela janela e vejo alguém que se abraça.
Um beijo.
Encosto a cabeça no banco e fecho os olhos.
Um sorriso.
Afinal é tudo sobre o amor e paixão.
Finalmente um pouco de paz.

  

Deep Dive
Após mais um dia de pressão, tensão, correria alucinante e trabalho banal com gente estúpida, mergulho no grande abismo azul e deixo-me ir… para bem longe de tudo, onde a luz já não penetra, onde o único som provém do ritmo cardíaco… cada vez mais longe.
Não quero voltar à luz, quero dormir para sempre…
Apaguem a luz.

Oceans of Tears
Oceano de lágrimas. Redenção para quem o conseguir atravessar.

Sorry
Desculpa pelas palavras que ficaram por dizer, o arrependimento de te ter deixado ir, a fragilidade e insegurança que me acompanharam.
Gostava de te ter encontrado naquele dia... mas naquele dia não estavas.
Nunca serei bom o suficiente para chegar até ti… e faço-me forte.
Sinto frio quando estás, sinto desolação quando não estás.
Não quero ser o que tu queres.
Tu não queres saber, mas eu amo-te... desculpa!

Speak Now
Gritar!
Comunicar!
Tenho necessidade de comunicar… mas será que está aí alguém para ouvir?
Está tudo tão calmo, tão calado, tão estranhamente pacífico… será que Deus me ouve?
Ele também está estranhamente calmo e pacífico… está a testar-me… vou gritar… quero falar!!!
Gritar por tudo aquilo em que acreditamos antes que seja tarde de mais.

Autistic Eyes
Os olhos das crianças autistas e o desespero dos pais que percebem que o filho, aparentemente perfeito, é autista.
Aqueles olhos transmitem uma paz irreal e capaz de por à prova a alma mais forte.
Ninguém consegue passar aquela barreira.

Felt
Quem és tu quando estás sozinho?
Quem és tu agora?
Não deixes que a rotina entre nas tuas veias.
Nunca esqueças quem és e dos sonhos de criança.
Procura bem pois não vais aguentar a dor.

See the Light
Estranhamente acordo leve e a flutuar.
O sentimento do dia anterior, de completa inadaptação, dá lugar à vontade de agir .
Começo a subir as escadas até ao telhado.
Quero voar….quero sentir o vento!
Já nada importa.
A pele, cinzenta, parece que já está morta…
Será aquela luz o fim?
Dou um passo em frente e sinto o vento e as nuvens a segredar quem sou eu, até ao fim...!

Just Once
Gostava de poder olhar o sol.
Ter esperança e ser melhor.
Não conseguir.
A esperança é um amor solitário, um sonho vivido debaixo de água com ondas encapeladas.
Já não há tempo para mais nada a não ser aquele desejo de olhar para o sol.
Apenas uma vez.

22 de julho de 2014

Contautor | Flávio Torres fala-nos de "Canalha"

Temos desta vez como convidado na rubrica Contautor, Flávio Torres. Com um olho na Serra da Estrela e outro no estado da nação, o cantautor da Covilhã acaba de lançar o seu segundo álbum. "Canalha" é um disco com uma forte componente lírica e que musicalmente a sua folk se revela com um lado mais elétrico e abordando também o blues ou o swing. Damos agora a palavra a Flávio Torres que nos apresenta, uma por uma, as canções do disco.


CANALHA
Curiosamente foi um tema escrito logo após a saída do meu primeiro trabalho e que ficou em pausa na gaveta durante uns tempos, este tema seria para ficar numa versão muito folk apenas com guitarra acústica, no entanto quando voltei a trabalhar no mesmo surgiram ideias importantes de forma a acrescentar outro tipo de guitarras, percussões e vozes que acabaram por lhe dar mais movimento e energia. “Canalha” acabou por ser o single de avanço do álbum, pois o feedback dos primeiros ouvintes (família e amigos) foi decisivo para esta escolha. É um tema muito direto que chama Canalha a quem o é, que critica quem diz que ajuda mas que abandona, um tema que apela ao direito de revolta e à união de um povo acomodado que pouco faz para mudar e para se ouvir, uma música para acordar e sensibilizar de que não somos pobres de espírito e não merecemos ser enganados, roubados e violados. Tive o prazer de ter o Marco Silva na bateria e banjo.


FELIZ É O LOUCO
Para mim será o meu tema preferido deste disco, fala da importância da loucura (saudável) e como ela nos pode alimentar a felicidade, que será o mais importante da nossa vida. Diz-nos que ser muito sério e viver numa constante procura de dinheiro não será o caminho mais correto, pois a simplicidade da vida tem muito mais para nos dar que o poder. Este tema foi escrito numa tarde de Inverno no Estúdio da Montanha e vive de ambientes muito à la “Western”. A bateria foi gravada pelo Marco Silva e o Violino pela Susana Ribeiro.


ASSOBIO BÊBADO
Um dos elementos importantes da nossa cultura é o Vinho e sempre quis fazer uma música acerca deste líquido precioso, decidi na altura em que escrevia a música criar uma personagem sedenta deste suco e da companhia que lhe fizesse matar a saudade e as amarguras da sua vida. Talvez seja a música do álbum com um carácter mais cómico-dramático. A linha base de acordes pode induzir a sonoridades de raiz da nossa cultura musical tradicional, no entanto acabei por juntar melodias de guitarra elétrica e uma métrica de vozes diferente para que tivesse um outro tipo de identidade. As percussões ficaram a cargo do Tiago Pereira (Roncos do Diabo) e na bateria o Marco Silva. 


POLÍTICO SINISTRO
Este é mais um dos temas de crítica política. Aqui imaginei um político que estaria predisposto a falar abertamente ao povo e onde assumiria os seus erros e más decisões. A minha forma de imaginar esta situação acabou por ser um processo muito divertido de transcrever para o papel numa das noites de composição do disco “Canalha”.

Noventa e nove por cento das minhas composições começam sempre pela música pois é o que sai primeiro no meu processo criativo e esta não foi exceção, depois de estar feita arranjei uma melodia na voz com palavras ou sons sem qualquer sentido de forma a perceber a métrica que ficaria melhor, a letra foi saindo naturalmente como já descrevi acima. O ambiente musical é claramente Country com alguns adornos tipo “J Cash”. A Bateria foi registada pelo Marco Silva e as percussões pelo Tiago Pereira.


AI QUE MEDO
O tema com mais cadência bluesy do disco, música feita em pouquíssimo tempo no Estúdio da Montanha apenas com guitarra acústica em fingerpicking, gravei uma demo da mesma e lembro-me que andei com ela no carro durante uns dias de forma a perceber o que poderia ser feito para a tornar mais saborosa e acabei por juntar vários amigos que a tornaram especial. O medo faz temer tudo e todos e torna-nos fracos...todos sabemos, a verdade é que gosto de ser muito positivo quando escrevo algo e aqui tento evidenciar a importância de arriscarmos e lutarmos por aquilo que queremos sem que tenhamos receio de perder ou mesmo de sermos alvo de critica, interessa sim é tentar e arriscar por aquilo que acreditamos. A guitarra elétrica foi registada pelo João Guincho (Dapunksportif), nos coros o Paulo Franco (Dapunksportif), no baixo Manuel Póvoa, na Bateria o Marco Silva e no Saxofone o João Salcedas.



GOTAS DE COR
O Outuno é o tema desta canção, lembro-me de estar no estúdio perto da Janela apenas com a companhia da chuva que temia não parar, ao longe um Arco-Íris nítido, lá fora muito frio, lá dentro um conforto tremendo. O microfone estava on e em take quase direto saíram os primeiros acordes melancólicos desta música, juntei uma guitarra elétrica cheia de spring reverb, metalofone e um FM organ transcendente . Fala precisamente da chuva dessa tarde de introspecção com as cores do Arco Íris que incidiam na janela, foi para mim um momento solitário de brilhantismo pessoal. Adorei o resultado final com o resto de todos os instrumentos. De referir o bonito som de cântaro registado pelo Tiago Pereira.


LÍRICO DE AMOR
De início queria que fosse uma canção, mas após compor a base vi que tinha de ser mais que isso, imaginei de imediato uma melodia com guitarra slide que definisse um equilíbrio entre a letra e a voz, que fosse a paz e a sinceridade para as palavras que descrevem este Lírico de Amor dedicado ao meu irmão Rui Torres, que acabou por colaborar no registo de harmónicos em guitarra.

É um tema nostálgico com o equilíbrio entre slide guitar e os dedilhados da guitarra acústica. Aqui tive a colaboração no banjo gravado pelo João Rui (A Jigsaw) que lhe confere o aveludado perfeito, juntámos também a melódica subtil do Jorri (A Jigsaw) e a percussão sensível e discreta ficou a cargo do Tiago Pereira (Roncos do Diabo). 


PERDE POR PERDER
Esta música surge após a audição de alguns álbuns do senhor Robert Johnson, foi um total influenciador para que eu fizesse algo que fosse ao encontro de um Delta Blues dos anos 30-40, era algo que eu já queria fazer a algum tempo mas sempre tive receio de me colar a algum artista (por vezes é inevitável) tentei algumas vezes no estúdio encarnar este tipo de composição até que saíram os acordes que dão sentido à letra.

Após gravar as malhas de guitarra acústica, eléctrica e baixo o Marco Silva registou a bateria dançante.


AMANHÃ VAIS VER
Inicialmente e em pré-produção foi um tema composto em piano numa noite serena com a minha gata EVA a olhar-me fixamente por entre cabos e microfones, mas quando me desloquei para o Attack Release Studio o Produtor João P. Miranda sugeriu que algumas partes fossem substituídas pelo som clássico de flautas do Mellotron que a tornou especial logo na primeira audição, é uma música diferente da minha linguagem que me deu muito gozo fazer, talvez por ter um carácter de tensão e com qualquer coisa de sinfónico de acordo com os strings registados. O Diogo Freire (Meu & Teu) ajudou nos coros com a sua voz libertina.


FRONTEIRA
Esta não estava planeada sair no disco, mas acho que irei sempre terminar as minhas obras com um tema instrumental. 

Muito antes de ter planeado qualquer abordagem para este trabalho o realizador António Lopes convidou-me para fazer uma música para uma curta que estava a gravar de nome “Fronteira” e na altura registei-a apenas com duas pistas numa linguagem que fosse ao encontro do espírito dessa curta.

Assim que terminei o álbum achei por bem ser esta a música de encerramento, foi então que fui regravar mais algumas pistas de guitarra e um piano com delay + chorus de forma a ficar mais equilibrada com toda a cena musical deste “CANALHA”.

23 de junho de 2014

Contautor | The Fellow Man fala-nos de "Light Traveler"

Para este Contautor convidámos The Fellow Man, que aceitou o desafio de nos apresentar, uma a uma, as canções do seu álbum de estreia a solo, Light Traveler.

The Fellow Man é Bruno Mira, músico que deu voz aos Cast a Fire, projeto de rock/metal nacional, onde também tocava guitarra. Como The Fellow Man mostra um outro lado do seu talento, revelando-se um exímio escritor de canções folk, exemplarmente interpretadas e gravadas num disco com um sentido pop invulgar, para um músico que há bem pouco tempo gritava a plenos pulmões as letras das canções dos Cast a Fire.


HERE FOR YOU
Às vezes todos nos tornamos ouriços. Os amigos a sério estão prontos a ser feridos pelos espinhos para chegar ao coração.

LONG ROAD
Não fomos feitos para caminhar sós. Não fomos desenhados para aguentar tudo sozinhos. A generosidade deve andar de mãos dadas com a humildade.

SING WITH ME
Há uma linha desta canção que reflete todo o seu espírito: - “Life is too short to waste our time with petty talk.” Vamos ao que interessa!

BABY GIRL
Uma canção acerca da paternidade. Da minha, pelo menos! A Carolina despertou áreas do meu coração que eu nem sabia existirem.

DELIVER ME
Não gosto do que vejo á minha volta: o (falso) senso de valorização pessoal às custas da desvalorização dos outros. Vejo isso em mim também... e não gosto!

OUT OF FASHION LOVE
O amor eterno é a única fonte de alegria real. Tudo o resto é ilusão.

EVERYTHING I NEED
Acerca do alfa e do ómega, o princípio e o fim, origem e autor de tudo o que é puro, belo e verdadeiro, meu sustento e sustentação.

CAREFUL
Se olharmos para além de nós mesmos, há razões para sorrir.

OWN WAY
Se olharmos para além de nós mesmos, também há motivos para chorar.

TIME
“Trabalhemos enquanto é dia porque a noite vem quando ninguém pode trabalhar”. Amanhã pode ser tarde demais.

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Contautor | Hello Atlantic fala-nos de "Rambling Coast"

13 de fevereiro de 2014

Contautor | Hello Atlantic fala-nos de "Rambling Coast"

Inauguramos hoje, com o projeto Hello Atlantic, um espaço em que damos voz aos autores nacionais, que nos trarão as histórias por detrás das canções. João Esteves conta-nos tudo sobre cada uma das dez faixas da sua última criação, o álbum Rambling Coast, editado no final de 2013.





MAD VERSES
A Mad Verses é a primeira música do álbum mas foi a última a ser gravada. Achei que seria uma boa introdução, como um último sonho de madrugada antes de acordar para o álbum. Foi das poucas ocasiões em que as letras estavam completas antes da guitarra. Um dia decidi tentar escrever em sincronia com a minha linha de pensamento e em alguns minutos surgiram as palavras que viriam a ser esta música. Mais tarde tentei domá-las com uma progressão na guitarra mais simples. Ainda não sei se consegui.

RAMBLING COAST
A Rambling Coast é o hino e manifesto deste álbum. É uma música sobre a nossa costa e História, sobre as glórias e ruínas dos nossos egrégios avós. É o sentimento de pertença e também o fardo que carregamos. Para mim é o som das vagas a baterem nas rochas num dia ventoso - que se ouve ao abrir a janela por esta zona - e que nos relembram que somos velhos. Tão velhos que precisamos de renascer; e não no sentido cristão.

ANIMALS OF DUSK
O anoitecer é a minha altura preferida do dia, achei que devia partilhar isso. A Animals teve várias versões até assentar nesta. Cheguei a gravar bateria mas no final fiquei-me pelas percussões mais simples. Assim como na Mad Verses e noutras músicas deste álbum caseiro, quis gravar a voz e guitarra ao mesmo tempo, o que provou ser um desafio de captação com os dois microfones de que dispunha, e pelo espaço de gravação ser longe do ideal. O aspecto positivo dessas limitações é que as músicas soam ao espaço da casa onde foram gravadas.

WINDY CITY BLUES
Os ventos de norte que se levantam a meio das tardes de verão na zona onde cresci, e que trazem melancolia consigo de vez em quando. A Windy City Blues é uma música sobre o dia-a-dia no sítio a que mais facilmente posso chamar casa. Andava há algum tempo a aprender e desenvolver estilos de fingerpicking alternativos e decidi usar um deles nesta canção.

SEASONS
Compus a Seasons numa tarde de Outubro em que senti o Inverno chegar sem aviso. Estava no local onde escrevi uma boa parte do álbum e nesse final de tarde andava às voltas com quatro acordes numa afinação nova até que senti os meus dedos enregelados. Escrevi "...freezes my bones / but my mind is ablaze" e todo o texto sangrou rapidamente daí. Voltei para casa com uma música nova.

FASTER THAN THE RAIN
Um tema no ukulele que tinha escrito há uns anos na Finlândia. Gravada com um microfone ao fundo das escadas da casa dos meus pais na tentativa de captar a reverberação natural do espaço. Foi o único take, segundos depois o telefone tocou. Era a minha avó. 

SKYLASH
A Skylash são duas músicas numa só. A segunda metade foi divertida de orquestrar. Foi talvez o único momento do álbum em que me permiti gravar qualquer instrumento que estivesse à mão. Um dos problemas que afectou as gravações deste álbum, e que me recordo particularmente no caso desta música, foi o da casa que serviu de estúdio estar situada na rota de um aeródromo e rodeada de moradias com cães desejosos de contribuir com o seu ladrar para o disco. Em poucos dias aprendi os horários e rotinas de aviadores e caninos. Gravei nos entretantos.

THE BURROW
Burrow, a Toca. Na minha cabeça estavam o conto do Kafka e o Watership Down. É um exercício filosófico em temas que quero revisitar. A indecisão entre intervir ou isolares-te perante conjunturas negativas como as que vivemos hoje na nossa sociedade, e em geral na nossa civilização. A versão original era bastante mais longa, mas acabei por encurtá-la para o disco.

TRAVEL LIGHT
Se a Rambling Coast é o hino à nossa costa, a Travel Light é uma ode às minhas primeiras viagens. São reminiscências das travessias em ferrys entre a Suécia e a Finlândia, sobre a descoberta das cidades-capitais e arredores. Acabou por ser a única música que não gravei sozinho, o meu amigo André Nóvoa tocou aquela tarola marchante.

SWEET WATCHTOWER
Andei umas semanas à procura de alguém que tivesse um piano em casa para gravar esta música ao vivo. Queria algo antigo e desafinado, dentro do razoável. Foi exactamente o que encontrei na casa da irmã do meu grande amigo Mário, o piano de parede da avó deles que viajou da Suécia para Portugal - a ironia. Fomos lá numa tarde em que a nossa costa estava em alerta vermelho devido a uma tempestade que tinha já derrubado algumas árvores e provocado inundações na região de Lisboa. Gravámos um ou dois takes na companhia do belo gato preto residente, na gravação ouve-se a chuva e o vento lá fora. A música em si fala de um período da minha vida num dos apartamentos onde mais gostei de viver.