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31 de outubro de 2017

Disco da Semana | Mazgani - The Poet's Death


"The Poet’s Death" é o quinto trabalho de longa duração de Mazgani e teve edição pela Sony Music.

Gravado e misturado por Nelson Carvalho nos Estúdios da Valentim de Carvalho, o novo registo de originais de Mazgani foi co-produzido pelo músico e por Peixe (Ornatos Violeta), que também contribuiu na gravação de guitarras e teclas. Em estúdio Mazgani contou também com Victor Coimbra no baixo e Issac Achega na bateria. Para além do formato CD e digital, o novo álbum de Mazgani está também disponível em vinil.

8 de julho de 2017

Disco da Semana | Trêsporcento - Território Desconhecido

11 de junho de 2017

Disco da Semana | LÂMINA - Lilith

"Lilith" é o nome do álbum de estreia dos lisboetas LÂMINA, editado a 2 de junho com o selo da raging planet.

LÂMINA nasceu em agosto de 2013, pela mão de Vasco Duarte (guitarra e voz), Sérgio Costa (guitarra), Katari (bateria) e Filipe Homem Fonseca (baixo). O quarteto já abriu para Greenleaf e Acid King e tocou em festivais como o Sonic Blast Moledo e o Reverence Valada, em edições por onde passaram bandas como Pentagram ou Sleep.

Os concertos de LÂMINA são uma intensa experiência sensorial e um convite à percepção de um universo misterioso e oculto. Sejam bem-vindos.

[Comunicado de imprensa]

13 de maio de 2017

4 de dezembro de 2016

17 de novembro de 2016

Disco da Semana 42.16 | Velhos - Velhos


"Há cinquenta o anos o rock'n'roll servia para colocar em risco os valores da família e no disco novo dos Velhos serve para o contrário: eles andam à rasca para a constituir. Pedidos de casamento, desejos de filhos, lareiras e praias sonhadas para a descendência. Ainda por cima, já não é só o Quica que faz estes pedidos num registo de lamúria gemida (ele antes não cantava assim...), é também o Sebastião em pose Dylan-New Morning de óculos e camisa branca que se junta ao clamor. O que é que deu aos Velhos?

O que no primeiro disco era bojarda tornou-se agora balada. Não há uma única canção rápida no novo disco. E a segunda guitarra que foi substituída por um órgão? Os Velhos fizeram jus ao nome e amoleceram? Nem por isso. Os Velhos tornaram-se uma banda que tornou o seu rock numa expressão real de fado. E por isso não é de estranhar que haja no registo mais suplicante da voz um resquício de Alfredo Marceneiro. Os Velhos mudaram a mobília da casa deles para que a mariquice viesse masculinamente assumida.

Ao contrário do primeiro disco, onde a voz estava na música dos Velhos como um tempero leve para a argamassa sónica (e que potência saía dali!), agora os instrumentos chegam-se para trás para a seguirem. Esta é logo a primeira e mais óbvia surpresa deste disco. As pessoas vão ter de agora dar ouvidos aos Velhos, quando no anterior precisavam apenas de se deixar levar por eles. Este é, por isto, o primeiro disco delicado de uma banda saudavelmente bruta. Mas o interessante é que o que os Velhos procuram agora através da delicadeza produz um efeito mais radical em nós que os ouvimos. Os Velhos ao darem mais devagar dão com mais força.

Curiosamente, este disco dos Velhos serve também para pôr um ponto final na editora Amor Fúria. Há alguma coisa que está a acabar aqui. De outra perspectiva, o disco dos Velhos também é editado pela FlorCaveira, confirmando que, independentemente das sensações sazonais, há que continuar na tradição da devoção e distorção. Os Velhos, que participaram na vaga da nova música que por estes dias alcança algum reconhecimento público, não fazem um disco de crista da onda porque preferiram navegar para águas profundas que não são vistas da praia. Na música deles ouvimos agora um rumor de Tom Petty (obrigado João Só, que gravaste o disco na perfeição!), de Black Crowes (e aquele embalo sulista) e até de Mingos e Samurais (haja coragem para elogiar o Veloso que nos pertence!). Enquanto osmiúdos modernos surfam, os Velhos zarparam do Restelo para novos descobrimentos.

Aqueles que já viram os Velhos ao vivo sabem que eles não brincam. Não há conversa de chacha, não há cedência à emoção instantânea na audiência, não há discos pedidos. Os Velhos fazem o que acham que têm para fazer. Já vi os Velhos em Musicboxes em explosão e já vi os Velhos em Sabotages em transe lento. Estou ansioso para ver os Velhos com este disco nas costas deles e no nosso coração. É das coisas mais emocionantes a acontecer na música e por isso vale a pena que lhes ofereçamos silêncio. Acreditem que se vai cantar este facto."

Tiago Guilul

31 de outubro de 2016

18 de outubro de 2016

Disco da Semana 40.16 | Terrakota - Oxalá

Terrakota estão de volta aos álbuns de energia limpa, formação renovada, baterias recarregadas e ainda mais força! Desde que voltaram à estrada em 2015, fervilhando com mais influências musicais trazidas das viagens e cruzamentos pessoais que deram corpo à nova formação, têm estado a trabalhar neste novo álbum sem pressas e com o distanciamento e a respiração necessárias para caminhar com a tranquilidade do Índio.


Tal como nos últimos três álbuns da banda, trata-se de uma edição completamente independente, só possível graças à dedicação multidisciplinar dos membros da banda, à contribuição de pessoas que gostam da arte criada pelos Terrakota através de uma campanha de CrowdFunding e à generosidade e entrega dos engenheiros de som e músicos de Lisboa que colaboraram na sua génese. 

Num processo literalmente espontâneo, os Terrakota desta vez compuseram um álbum em que a maioria dos temas são em português e no qual a mensagem é transmitida com mais clareza. Curiosamente, encontramos uma sonoridade mais rock em alguns momentos, embora a busca de constantes cruzamentos sonoros dentro do caldeirão multi-étnico continue! O ponto de partida é, como sempre, África, de onde se sai e aonde se volta, trilhando rotas de escravos em sentido inverso e bebendo da fantástica diversidade musical que daí nasceu e se espalhou pelo mundo fora.

Terrakota é a constante procura de uma alquimia musical geradora de um roots moderno,

de uma música sincera e actual, executada integralmente por seres humanos. Secção rítmica pujante, diálogos constantes entre as linhas vocais, as guitarras, o kora, o sitar, o ballafon, as percussões e outros instrumentos provenientes de diferentes culturas que consolidam a linguagem worldrootskota, num mundo interligado e tricotado, onde são suprimidas todas as fronteiras, distâncias e barreiras.

Um álbum de Terrakota tambem é sempre um espaço aberto à arte trazida por outros músicos, artistas visuais e escritores. Desta vez destacam-se as participações vocais de Vitorino, Mahesh Vinayakram, Selma Uamusse e Anastácia Carvalho, Florian Doucet, uma letra de Luaty Ikonoklasta e algumas contribuições visuais de Pedro Feijão e Caelyn Robertson.

Para além da inspiração permanente de culturas de raíz, o estado das sociedades humanas e do planeta serve, mais uma vez, de base a uma mensagem crítica e consciente, de que a banda não abdica. É fazer parte deste projecto maior, em que a arte é assumidamente uma tomada de posição perante o mundo, que funciona como um apoio sustentado da criação, para que esta se possa manter livre, pura e universal.

[Comunicado de imprensa]

12 de outubro de 2016

Disco da Semana 39.16 | You Can't Win, Charlie Brown - Marrow


Na sempre inatacavelmente científica Wikipédia, cuja fiabilidade quase ultrapassa a certeza de que quando Michael Phelps nada é para decorar o pescoço com ouro (inserir ironia a gosto), marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia. Diz-se ainda que, mantendo as características de cor e forma da courgette, o legume em causa tem um sabor neutro e é insípido quando cozinhado. Até aqui, apetece rir quando pensamos no nome escolhido pelos You Can’t Win, Charlie Brown (YCWCB) para o seu terceiro álbum. Não poderia ser mais despropositada a relação entre esta acepção da palavra e a música da banda lisboeta. Mas basta insistir um pouco na leitura e descobre-se que esse sabor neutro faz com que a sua utilização gastronómica passe sobretudo por servir de invólucro para recheios de todo o género.

E aqui, larga-se o riso e passa-se ao sorriso de reconhecimento. Sim, os YCWCB têm algo disto, de banda cápsula dentro da qual viajam matizes de todo o género, como se no interior de cada canção semeassem e fizessem desabrochar as mais variadas e inesperadas referências. Olhamos para eles e julgamos saber para onde vão, abocanhamos uma canção e julgamos já lhe conhecer o sabor e, afinal, vinga sempre a surpresa, nunca um tema da sua autoria começa como acaba, nunca as certezas vão muito além do primeiro refrão.

É claro que o “Marrow” do título do álbum tanto pode remeter para o dito legume quanto para o nome de solteiro de Ice-T – antes de (Tracy) Marrow se ter casado com o hip hop (mais uma vez, indispensável informação providenciada pela mui solícita Wikipédia). Perguntando aos YCWCB, no entanto, ficamos a saber que “Marrow” vem, enigmaticamente, de medula óssea. E talvez seja com esse enigma que a banda quer jogar. Até porque ao pousarmos o olhar na capa do disco, uma espécie de colorida mancha de Rorschach, aquilo que percebemos é que, aqui, cada um projecta aquilo que quiser e que conseguir. E, de facto, não é pouco aquilo que se consegue projectar na música dos YCWCB.

Recuemos um pouco nessa projecção. Quando, em 2011, a revista francesa “Les Inrockuptibles” salivava sem vergonha diante de “Chromatic”, primeiro álbum do sexteto, atirava ao ar os nomes Fleet Foxes, Bon Iver, Grizzly Bear ou Devendra Banhart para falar da grandiosidade dos arranjos dos rapazes, capazes de montar sobre a simplicidade de uma grande canção folk – resistente ao teste de “se só deixarmos a voz e a guitarra ninguém se vai queixar nem deixar de encontrar aqui fonte suficiente de encantamento” – uma tendência quase barroca de embelezar aquilo que já de si era evidentemente belo.

Essa sempre foi a chave para as canções dos YCWCB: os arranjos não servem para disfarçar lacunas ou para tapar a falta de ideias, mas sim para levar o mais longe possível aquilo que uma simples conjugação de harmonia e melodia promete ser. ”Chromatic” (2011) e “Diffraction/Refraction” (2014) usavam esse dispositivo com uma mestria que sossegava. E sossegava porque se percebia sem esforço a forma como estes seis conseguem olhar para uma melodia e pensá-la quase como um icebergue. Debaixo de cada fio de ideia, descobria-se uma imensidão de outras, harmoniosas, orgânicas, sem ceder ao excesso nem ao medo. Se a música pede cordas, cordas há-de ter; se pede uma segunda parte que em nada se parece com a primeira, pois que assim seja, isso de canções que só se parecem consigo mesmas nem sempre é razão para festejos.

“Marrow” é tudo isto que os YCWCB já antes eram, juntando às ondas de suave melancolia do fim do Verão que sempre percorreram as suas canções uma nova atenção aos sons eléctricos que induzem uns passinhos de dança. As vozes continuam a pairar lá em cima, como que aguentando o céu no sítio de sempre, mas cá em baixo há agora guitarras e teclados com fogo nas ancas, remisturando uma vez mais todas as referências do grupo. Se não desapareceu a tentação de ouvirmos resquícios de melodias chegadas de longe, desde Beatles ou Beach Boys, encontramos desde logo provas no primeiro single, “Above the Wall”, de uma cadência electro-rock que pode ter nos Suuns gente amiga, e evidências em “Linger On” de que os Unknown Mortal Orchestra não se dariam mal como colegas de casa dos Tinariwen (ou, se isso fosse esticar muito a corda, os Vampire Weekend).

“Pro Procastinator”, segundo single de Marrow, lembra a forma como os My Morning Jacket e os Fleet Foxes nos fizeram pensar que a folk pode ser um território agitado, sem leis, fronteiras ou fim à vista. E daí em diante, os YCWCB avançam de surpresa em surpresa, esparsos e atmosféricos em “Mute” ou “In the Light There Is No Sun”, sem deixar de abrigar aqui e ali uma reserva sinfónica; provocadores e dançáveis em “If I Know You, Like You Know I Do”; tão clássicos quanto inquietantes e imprevistos nas canções-mutantes “Joined by the Head” e “Frida (La Blonde)” (a transformação de Frida em Margot, da mulher da Flandres na mulher da Valónia, descrita no “Plat Pays” de Jacques Brel, se sonhada por David Lynch havia de soar mais ou menos a isto). “Bones” fecha a fazer-nos pensar como tudo isto, num dado momento, pode ser tangente ao percurso luminoso de Jeff Buckley.

Gravado no estúdio HAUS por Fábio Jevelim, Makoto Yagyu (ambos dos PAUS) e Miguel Abelaira, com mistura de Luís “Benjamim” Nunes e masterização de Alan Douches, Marrow tem edição a 7 de Outubro e espectáculo de lançamento marcado para a discoteca Lux a 13 de Outubro. Ocasião perfeita para celebrarmos os YCWCB. Sem trair aquilo que há muito neles admiramos, mas como nunca antes os ouvimos.

[Comunicado de imprensa]


Este novo trabalho dos You Can't Win, Charlie Brown é apresentado ao vivo no dia 13 de outubro no Lux, sendo que existe oferta de bilhete na compra do disco na Fnac.

26 de setembro de 2016

Disco da Semana 37.16 | Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them


“Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them” vem diretamente na sequência do disco anterior de Bruno Pernadas. Gravado tal como o primeiro nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo, este novo trabalho vai mais longe que o seu antecessor na exploração dos formatos, dos arranjos, das técnicas de estúdio e das próprias capacidades instrumentais da banda que o acompanha.

Oito temas - e dois poemas - estabelecem as coordenadas para mais uma viagem através do fantástico universo musical de Bruno Pernadas.

[Comunicado de imprensa]

18 de setembro de 2016

Disco da Semana 36.16 | Old Yellow Jack - Cut Corners


Após a edição de "Magnus" em 2015, os últimos dois anos dos Old Yellow Jack ficaram marcados por atuações em festivais como o Indie Music Fest ou o Vodafone Mexefest, programas de televisão como o 5 para a meia noite e algum reconhecimento de blogs e rádios internacionais. Entre setembro e dezembro podemos esperar uma digressão de apresentação de "Cut Corners", marcando presença nas principais cidades do país.

Começaram como quaisquer dois putos de 15 anos, com vontade de fazer barulho. Entre barulho e não barulho, convém completar a banda e aprender a escrever canções. E assim começa a vida pública dos Old Yellow Jack, com quatro demos caseiras que os levaram de Norte a Sul do país, numa tentativa de fazer o tal barulho resultar em cima de um palco, sem terem sequer idade para pegar num carro.

"Magnus", o primeiro EP digno desse nome, acaba por surgir como um murro na mesa de 4 jovens com arranjos de adultos, impacientes por mostrar ao mundo que a idade é só um número. E de uma vez por todas, resultou. A crítica acolheu o disco de braços abertos e a nova digressão permitiu-lhes passar por algumas das salas mais emblemáticas deste país. Viram os seus singles viajar até rádios e blogs no Brasil e em Los Angeles. Atraíram a atenção de festivais como o Vodafone Mexefest, Novos Talentos Fnac e Indie Music Fest, e, como bons workaholics que são, até formaram a sua própria agência de bandas, a Colado, de maneira a dar a mão às novas bandas em que mais acreditam.

Não descuraram o trabalho de estúdio e no seu álbum de estreia, "Cut Corners", marcado para Setembro de 2016. Deixando de lado o psicadelismo frenético de "Magnus", experimentam agora o indie americano de bandas como Pavement ou Real Estate, com melodias que farão lembrar uma espécie extinta chamada Fleet Foxes. Dadas as influências, poderíamos dizer que se tornaram mais calmos. Erro ingénuo de quem nunca os apanhou ao vivo.

Afinal, são só uns putos com vontade de fazer barulho.

[Comunicado de imprensa]

5 de setembro de 2016