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10 de novembro de 2018

Reportagem | Riverside + Mechanism @ Lisboa ao Vivo 2018

Foi no passado sábado que o público nacional pôde receber de novo os Riverside, um dos grandes nomes do rock progressivo da atualidade. A fotorreportagem é de Cécile Lopes para o The Music Spot.



A primeira parte ficou a cargo dos também polacos Mechanism que apresetaram o novo álbum, "Entering The Invisible Light".

6 de novembro de 2016

Reportagem | Noites Ritual 2016

O mais conhecido ritual musical portuense voltou a cumprir-se no Palácio de Cristal, numa espécie de encerramento do verão: as Noites Ritual são, por excelência, o ponto de encontro do público da cidade invicta com um naipe de bandas portuguesas, numa organização da edilidade portuense, através da Porto Lazer, que criou um alinhamento atraente às várias sensibilidades e faixas etárias presentes.


Numa agradável noite pós-verão, e num recinto onde era possível desfrutar de diversas atividades e mesmo de um mercado muito “vintage”, foi da Concha Acústica que vieram os primeiros sons da noite, trazidos pelos locais The Black Zebra - um jovem duo formado pelos irmãos Nuno e Hugo Machado, com uma proposta post-rock instrumental capaz de fazer mexer os corpos, como fazer a mente planar e viajar para longe.


Pelas onze horas, estreava-se o palco principal com a atuação dos Fandango, de novo um duo, de novo instrumental. Neste caso, a veterania dos seus membros é notória, e o curriculum invejável: o acordeonista Gabriel Gomes foi membro fundador dos Madredeus e Sétima Legião, e o guitarrista Luis Varatojo, ex-Peste & Sida, Despe e Siga e A Naifa, de onde já conhecíamos a mestria na guitarra portuguesa. Aqui e agora, temos os Fandango, tão-somente o cruzamento entre a música tradicional portuguesa e a música eletrónica dançável. Uma hora de espetáculo conduzida com sabedoria e muito bem acolhida pelo público.

De regresso à Concha Acústica para a atuação dos Palankalama, e de novo uma fusão instrumental de universos musicais distintos - tradicionais, folclóricos até. À base rock adiciona-se uma panóplia de instrumentos por vezes inusitados e uma boa dose de humor, à qual o público não foi indiferente.


Só perto da uma da manhã se ouviu, por fim, uma voz em palco - e que voz. Marta Ren, outrora dos Sloppy Joe, apresenta-se com o seu projeto Marta Ren & The Groovelvets. O palco principal acolheu uma verdadeira big band em torno daquela que foi o epicentro da atuação. Sexy e provocadora, Marta Ren projeta-se com uma intensidade frenética, sem nunca comprometer o seu desempenho vocal notável. Um soul / funk vintage e viciante, destemido em pisar qualquer terreno, como na sensual versão de “Light my fire”, dos The Doors, tudo vindo de uma mulher segura da sua condição “non-regular”. O orgulho nas suas raízes portuenses ficou vincado no tema “I’m coming home”, pelo meio de um espetáculo de uma energia contagiante.


Nota: Devido ao mau tempo que se verificou a 24 de setembro, o segundo dia das Noites Ritual 2016 foi cancelado, com a promessa de nova data com as bandas anunciadas: Sean Riley & The Slowriders, Peixe:Avião, The Twist Connection e CRU.

Fotografia e texto: João Fitas

15 de dezembro de 2015

Reportagem | The Gift - 20 anos @ Multiusos de Guimarães

Uma das mais bem sucedidas bandas dos últimos vinte anos em Portugal, os The Gift prepararam dois concertos que celebram precisamente esse marco histórico, pontuado por inúmeros sucessos que já pertencem ao imaginário do grande público. Nessa condição, a banda alcobacense pôde apostar numa grande produção que foi visível no Pavilhão Multiusos de Guimarães, e foi “Fácil de entender” que a ousadia redundaria em sucesso: uma autêntica multidão preencheu (praticamente) todos os cantos do pavilhão.

Um cronómetro em ecrã gigante contava os minutos até que a banda pisasse o palco, mas para os The Gift, estar no palco é mais do que simplesmente pisá-lo. É essa presença tão intensa e distinta, olhos nos olhos com a plateia, que faz um espetáculo de cerca de duas horas e meia passar a voar. Começando em alta com um momento apoteótico ao som o “beatlesque” tema “Clássico”, onde os altos voos de Sónia Tavares foram levados à letra, com a vocalista a cantar suspensa no ar. De regresso a terra firme, seguiu-se o tema “Laura”, onde a banda se concentrou numa pequena extensão do palco principal, praticamente encostado às primeiras filas.







A atuação prosseguiu com “Dream with someone else's dream”, “Truth”, “Changes”, “How the end... Always end”, “OK! Do you want something simple?”, “Doctor”, “Sehnsucht” e “Butterfly”, numa sucessão de temas que garantia que nenhuma fase da história dos The Gift ficava esquecida, e onde não faltou sequer o sexteto de cordas. “Wallpaper”, “Meaning of life”, ”Primavera”, “Made for you”, “Question of love”, “RGB”, “Driving you slow”, “Front of”, “The singles” e “In repeat” fizeram subir a pulsação no publico que começava a libertar-se das cadeiras, ora respondendo ao repto à dança, ora ovacionando as referências à cidade-berço que surgiram em projeção.

E foi pelo ar que Sónia Tavares se fez chegar ao pequeno palco no centro do pavilhão, esperada apenas pelo teclista Nuno Gonçalves, enquanto interpretava “Fácil de entender”, e onde protagonizou uma homenagem a Frank Sinatra - que faria neste dia 100 anos - através da interpretação, bem acompanhada pelo público, de “My way”.

Para o final, ficou “My Lovely Mirror” e “Music” - será quase escusado tentar descrever o ambiente de festa que estava espalhado por todo o pavilhão, que coroou uma produção de uma dimensão muito considerável, mas meticulosa ao ponto de não ter havido qualquer falha percetível.

Apesar do adiantar da hora - o espetáculo terminou perto da uma da manhã - ainda houve tempo para uma prolongada sessão de autógrafos, em que algumas centenas de pessoas aguardavam pelos músicos, com os seus CDs e vinis na mão, ou mesmo o magnífico livro intitulado “20”, da autoria do jornalista Nuno Galopim.

A comemoração dos 20 anos de Alcobaça irá agora culminar com a apresentação na MEO Arena, já no próximo sábado, 19 de dezembro.

26 de outubro de 2015

GNR abriram a "Caixa Negra" no Coliseu do Porto

O icónico Coliseu do Porto recebeu na passada sexta-feira uma das mais amadas bandas da cidade invicta, os GNR, em plena tour de promoção ao novo álbum, Caixa Negra. Parecia faltar à entrada o frenesim caraterístico das grandes noites, mas a verdade é que a sala estava praticamente cheia no momento em que Rui Reininho, Jorge Romão e Tóli César Machado entraram em palco, perante um público de faixas etárias bem diversas, efeito de mais de 30 anos de carreira.

Samuel Palitos na bateria, Tiago Maia na guitarra e Paulo Borges nas teclas foram os homens da retaguarda, enquanto Jorge Romão percorria o palco com energia incessante, Tóli, multi-instrumentista que iniciou a atuação sentado ao teclado, mas lançando mão, ao longo da noite, ao acordeão e à guitarra elétrica e acústica, e por fim Rui Reininho, sendo ele próprio, profícuo em poses elegantes e por vezes sarcáticas, e com intervenções sociopolíticas acutilantes.

“Caixa Negra” e “Triste Titan”, tirados do novo álbum, abriram a atuação, e a partir daí foi uma viagem nos tempos, aos atuais e aos idos. “Efectivamente” criou a primeira (dentre muitas) ondas de entusiasmo nas plateias, tribunas e frisas, tal como “Pós-Modernos” e “Mais Vale Nunca”.





Como a noite era especial, houve lugar a convidados. Se alguns seriam escolhas seguras e até expectáveis, outras foram surpreendentes. Apresentado por Reininho como o “melhor a sair de entre os postes”, o primeiro convidado foi… Helton. O agora ex-titular da baliza do FC Porto revelou-se um excelente entertainer, e deu voz - com competência - ao clássico “Inferno”, de Roberto Carlos. Mais à frente, o tema “Dançar SOS” contou com a primeira aparição de Rita Redshoes, e três temas depois, surgir Tim, que trouxe um tema bem antigo dos Xutos, “Quando eu morrer”, e ainda cantou um tema “sobre a Boavista”, “Bellevue”.

O novo tema “MacAbro” e o antigo “Nova gente” contaram com a presença da dupla de mariachis (!) Los Cavakitos, a anteceder “Pronúncia do Norte” cantado a duas vozes (a de Reininho e a do público) e “Morte ao sol”, de novo com Rita Redshoes, precedida, num momento notável, pela gaita-de-foles de Gonçalo Marques.

Para o encore ficaram “Corpos”, “Morrer em Português”, “Ana Lee” e o incontornável “Dunas”, a fechar mais de duas horas de espetáculo.

Fotografia e texto: João Fitas

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Foto-reportagem | NOS em D'Bandada 2015

25 de maio de 2015

Reportagem | Lotus Fever @ Belém Art Fest 2015

Os lisboetas Lotus Fever foram uma das bandas que abrilhantou a primeira noite do Belém Art Fest. Tocando no palco The Famos Grouse, à mesma hora que um tal António Zambujo atuava no Mosteiro dos Jerónimos, os Lotus Fever conseguiram reunir uma boa e curiosa plateia na sala do Museu Nacional de Arqueologia.

A banda ofereceu um set de cerca de uma hora, em que algumas canções de Search For Meaning, o excelente disco de estreia, foram apresentadas com novos segmentos, o que é bem demonstrativo do empenho dos jovens músicos em fazer evoluir o som da banda, já de si bem surpreendente e original em disco. As performances de Pedro Zuzarte, Bernardo Afonso, Diogo Teixeira de Abreu, Manuel Siqueira foram exemplares e ainda que os quatro estejam longe de ser uns animais de palco, a experiência fá-los-à crescer nessa vertente. Para já fica a certeza de que os Lotus Fever são uma das mais interessantes novas bandas do rock português.

3 de julho de 2014

Reportagem | Extreme ao vivo no Armazém F

Os norte-americanos Extreme trouxeram a Lisboa sua digressão "Pornograffiti Live!", quase seis anos depois do concerto no Coliseu dos Recreios, aquando da sua última passagem por Portugal.

Nuno Bettencourt e companhia fizeram-se desta vez à estrada com o intento de tocar na íntegra "Pornograffiti", o seu disco de maior êxito comercial e os seus fãs em Portugal responderam em massa enchendo por completo a sala situada no Cais do Sodré.

A banda de Boston tem, desde 2007, mais um elemento com estreita ligação a Portugal (o atual baterista Kevin Figueiredo é luso-descendente), e em cada atuação no nosso país os Extreme jogam sempre em casa, tal é o carinho com que são recebidos.

A abrir o concerto, poucos minutos passados das 21h00, a frenética sequência inicial do disco de 1990 (Decadance Dance / Lil' Jack Horny / Whem I'm President / Get The Funk Out) mostrou-nos a excelente forma em que a banda se encontra. Gary Cherone mantém a sua frenética postura em palco, Nuno Bettencourt continua a mostrar todos os atributos que o levaram a ser considerado um dos melhores guitarristas do seu tempo e a secção rítmica apresenta um sempre certeiro Pat Badger no baixo e uma bateria com pujança extra com a poderosa performance de Kevin Figueiredo.

A autêntica locomotiva, mescla de hard rock e funk, que ia estremecendo as fundições do Armazém F só acalmaria para a interpretação de "More Than Words", mega-êxito da banda que atingiu o lugar cimeiro da Billboard Hot 100 em 1991. Os Extreme voltariam logo de seguida à carga e durante a interpretação de It ('s a Monster), canção que na verdade tem um dos mais monstruosos riffs do disco, Cherone trepa tudo o que lhe aparece pela frente. Forma física invejável para quem este mês já comemora o 53.º aniversário.

A banda não passaria por cima de "When I First Kissed You", canção que se aproxima de um standard de jazz e destoa do álbum, acabando por ser a oportunidade de assirtirmos a uma rara interpretação de Nuno Bettencourt ao piano.

Mais à frente Bettencourt mostrou-nos no intro de He-Man Woman Hater de que é material é feito um guitar hero, terminando de seguida o set de "Pornograffiti" com "Song For Love" e "Hole Hearted", mais dois exemplos da capacidade da dupla Cherone/Bettencourt em escrever grandes canções. Revisto que estava o disco protagonista da noite, vieram as primeiras ameaças de despedidas.



O público exigia mais e os quatro voltariam ao palco para um generoso encore num formato próximo de "discos pedidos" e que haveria de abordar cada um dos outros quatros álbuns de estúdio da banda, com destaque para "III Sides to Every Story". A sequência final teve apenas um momento mais calmo (o instrumental "Midnight Express", com Nuno Bettencourt sozinho a encher o palco). O guitarrista açoriano demonstra um domínio e uma confiança que são bem visíveis também na fiel interpretação da excelente "Am I Ever Gonna Change" (a favorita deste vosso escriba). O público ao rubro e onde não faltava a bandeira do arquipélago natal de Bettencourt, viu satisfeito o pedido de "Color Me Blind", canção pouco rodada em palco e também a mais solicitada "Cupid's Dead", para um final apoteótico. Bettencourt mostrou-se aqui longe de estar velho para a interpretação dos temas de execução mais rápida. Cherone fazia as despedidas, podendo-se ouvir um "Ain't no place like home" e os momentos finais foram de confraternização com alguns dos fãs.

Os Extreme proporcionaram uma noite intensa e recheada de emoções e que para muitos foi uma autêntica viagem no tempo e a cumplicidade patente entre a banda e os espetadores faz antever outros grandes momentos no futuro para um público português que certamente desejará não ter de esperar mais meia dúzia de anos por uma atuação de uma das suas bandas mais acarinhadas.

Extreme Setlist Espaço Armazém F, Lisboa, Portugal, Pornograffitti Live! 2014

4 de junho de 2014

Reportagem | Miguel Araújo ao vivo no CC Olga Cadaval - Sintra

Foi a 3 de maio que Miguel Araújo levou as suas Crónicas da Cidade Grande até à vila de Sintra, onde atuou na principal sala, praticamente com casa cheia. O músico que se lançou a solo em 2012, tem tido desde então uma ascensão meteórica, colocando os seus discos a solo nos tops de vendas e em paralelo levando a música mais festiva e também de enorme sucesso d'Os Azeitonas a todos os cantos do país.

Curiosamente, foi não muito longe da vila de Sintra (em Rio de Mouro) que Miguel Araújo deu o primeiro concerto do seu projeto a solo, em julho de 2012, num evento de entrada livre e numa altura em que os menos atentos o viam apenas como o músico de "Os Maridos das Outras". De 2012 para cá, a banda cresceu, a confiança redobrou e o talento, esse nunca faltou.

Fotos: Paulo Bico

O espetáculo iniciaria com a interpretação, a solo, da faixa introdutória do novo disco, que na sua simplicidade realça a beleza do timbre da voz do cantautor portuense. Seria depois apresentada uma sequência de canções que começou em versão quarteto, sendo acrescentados posteriormente violoncelo em "Canção de Salomão", vibrafone em "Matérias do Coração" e a secção de sopros com quatro elementos na interpretação de "Cartório".

Miguel Araújo rodeou-se ao longo destes dois anos de um conjunto de jovens e muito talentosos músicos, o que até contrasta bastante com o início mais solitário do projeto e da gravação do disco "Cinco Dias e Meio" e na transposição para o palco as canções beneficiam dos arranjos do diretor musical João Martins, que é também saxofonista da banda.


De seguida os sucessos do disco de estreia "Capitão Fantástico" e "Fizz Limão" animariam bastante uma plateia muito heterogénea no que diz respeito às faixas etárias. Miguel resgataria então "E Tu Gostavas de Mim", a composição que abrilhantou "Desfado" de Ana Moura e que foi também um dos momentos mais festivos da noite. Esta canção será uma das melhores amostras da capacidade de Miguel Araújo de escrever canções a puxar a um certo lado mais popular. 

Em "Valsa Redonda", canção que no disco é um dueto com Marcelo Camelo, há uma invulgar utilização da percussão e pela altura em que Miguel Araújo puxa da harmónica (na belíssima "Romaria das Festas de Santa Eufémia") é impossível não o ver como um Rui Veloso da sua geração, com a sensibilidade de também podemos comparar a Carlos Tê na capacidade de escrever letras que acabam por nos dizer algo. Viriam depois os agradecimentos, incluindo o destinado à sua editora "por ter apostado num disco tão... coiso", num dos raros momentos em que lhe faltaram os adjetivos. "Crónicas da Cidade Grande" pode, na minha opinião, ser adjetivado como um disco musicalmente simples, mas sincero.


Simples e de igual bom gosto é também o cenário em que o espetáculo é apresentado e que fecharia com o primeiro single do disco novo "Balada Astral", antes do encore com "Desdita", a incortonável "Os Maridos dos Outros" e a prazenteira "Autopsicodiagnose".

  Setlist
Cidade Grande I
José
Canção de Salomão
Matérias do Coração
Cartório 
Capitão Fantástico 
Fizz Limão 
E Tu Gostavas de Mim 
Reader’s Digest 
Valsa Redonda 
Recantiga
Romaria das Festas de Santa Eufémia
Contamina-me
Balada Astral

Encore 
Desdita 
Os Maridos das Outras

4 de maio de 2014

Reportagem | Silence 4 ao vivo na MEO Arena

Foi a 5 de abril que se deu o muito aguardado regresso dos Silence 4 aos palcos, movendo dezoito mil pessoas à MEO Arena, para uma celebração da vida e das canções que marcaram uma geração, numa noite de emoções fortes ao longo de perto de três horas.

O espetáculo iniciar-se-ia com um pequeno documentário que mostrou em flashback o percurso dos Silence 4, recuando aos primórdios da banda em 1996, rematado com um “So glad that you here with us today”. A expetativa aumentava, mesmo entre os nascidos após essa data e que assistiriam ao seu primeiro concerto dos quatro de Leiria.

Num palco com um cenário (inicialmente) simples, abririam com "A Little Respect", a cover de Erasure que os tirou do anonimato. Não tardaria também “Borrow”, o maior sucesso da banda e sobre o qual David Fonseca admitiu nunca imaginar vir a ser o estrondoso êxito que foi. Tal sequência agarraria desde logo os muitos que reviviam os êxitos da banda com alegria estampada no rosto, só suplantada pela da de Sofia Lisboa, visivelmente emocionada.


Num dos momentos altos do concerto David Fonseca chamou a palco Sérgio Godinho. Muito aplaudido, daria o seu contributo em "Sextos Sentidos", canção para a qual foi convidado para gravar no disco de estreia. David confessou que foi com imensa surpresa que receberam a resposta positiva de Godinho ao convite de uma banda completamente obscura, à época.

No momento em se ouvem os primeiros acordes da contagiante "My Friends" aparece suspenso um automóvel clássico e que lentamente desceria até ao palco. David Fonseca não tardaria em subir para cima do seu tejadilho, de megafone em punho, deixando o público ao rubro. Sofia introduziria pouco depois “Angel Song”, também uma das preferidas da assistência, confessando que chegou a pensar não mais cantá-la. 

Fotos: (C) Rute Gonçalves

Os músicos reapareceriam pouco depois num pequeno palco montado no centro da arena. Foi então nesse ambiente mais intimista e com os quatro voltados uns para os outros que recriariam a pequena sala dos primeiros ensaios da banda, numa velha casa dos arredores de Leiria. Sofia Lisboa, no momento mais comovente da noite, agradeceu à pessoa que lhe salvou a vida, a sua própria irmã, acabando as duas abraçadas. Em dedicatória à sua heroína, Sofia interpretaria "Invincible" dos Muse, a canção que a sua irmã lhe colocava a tocar nos momentos de adversidade da luta com a doença. Pode não ter sido um dos momentos musicalmente mais interessantes, mas as emoções estiveram à flor da pele.

No regresso ao palco principal, seguiria-se o encore final feito dos grandes êxitos da banda em reprise (as canções que David Fonseca disse também serem de todos os espetadores) e que seriam cantados a plenos pulmões por todos os espetadores, com uma apoteótica "Angel Song" a fechar o pano. De permeio houve ainda tempo para a entrega simbólica à Liga Portuguesa Contra o Cancro da verba angariada nesta mini digressão, indo os 30.000 euros para investigação na área da cura da doença.

Ainda que musicalmente os Silence 4 se tenham mostrado menos arrojados do que nos concertos ainda bem presentes na memória de muitos, este derradeiro espetáculo terá ido ao encontro das expetativas dos quantos encheram a maior sala do país e para os quatro de Leiria o sentimento será de missão cumprida.

Silence 4 Setlist MEO Arena, Lisbon, Portugal 2014

12 de abril de 2014

Reportagem | You Can't Win, Charlie Brown ao vivo no Musicbox

Os You Can't Win, Charlie Brown regressaram aos palcos lisboetas, não para um, mas três concertos em noites seguidas no Musicbox. Foi a 22 de março que os YCWCB encerraram esta temporada com a sala lisboeta e com a premissa de percorrerem todos os seus trabalhos discográficos e juntarem ainda algumas covers.

Sem o nervoso miudinho da primeira noite ou o percalço da segunda, em que a falha de energia no Cais do Sodré os obrigou a terminar a noite em modo unplugged, os seis músicos abriram o espetáculo com "After December" e "Fall For You". As duas primeiras músicas no último álbum, que fizeram desde logo o público entrar num modo contemplativo da beleza das canções e das suas sublimes interpretações.

O concerto prosseguiu entre melodias mais introspetivas, muitas vezes alternadas com refrões épicos, preenchidos com harmonias vocais superiormente elaboradas. Destaque também para a capacidade multi-instrumentista dos músicos, num palco com uma enorme concentração de talento por metro quadrado.

Em "Green Grass #1", ouvimos a também belíssima voz de David Santos ganhar protagonismo. De seguida, a primeira cover da noite terá trazido à memória de muitos as noites em que a banda visitou o icónico Velvet Underground & Nico. A versão de "Run Run Run" dos YCWCB é também intensa, apesar de a guitarra elétrica passar para segundo plano, como acontece na maioria das composições originais da banda.


Fotos do concerto de 21 de março | (C) Luís Macedo

Mais à frente, o concerto teria um dos seus momentos altos com "Be My World", uma das obras-primas de "Diffraction/Refraction", seguida da mais dançável "Over The Sun / Under The Water", que teria o condão de elevar a participação do público a um outro nível.

Nova incursão em "Nico" se seguiria com "Heroin" com um final esmagador, antes da minimalista "The Song Below" do primeiro EP da banda em que a voz de Afonso Cabral vem ao de cima. O fim aproximava-se e "Natural Habitat", com o seu ritmo frenético, encerra em beleza a noite.

Depois da prova de fogo que foi o lançamento do segundo disco e que os YCWCB superaram com distinção, a banda voltou nestes três espetáculos a mostrar em palco uma grande capacidade de gerar empatia com o seu público.

Setlist
After December
Fall For You
Until December
I Wanna Be Your Fog
Shout
Green Grass #1
A While Can Be A Long Time
Run Run Run
Under
An Ending
Be My World
Over The Sun / Under The Water
Heroin
The Song Below
Sort Of
I've Been Lost
Natural Habitat

16 de março de 2014

Reportagem | Festival de Inverno (dia 2)

Para a segunda noite da edição inaugural do Festival de Inverno estavam reservadas mais seis atuações repartidas entre o Teatro de Bairro e o Santiago Alquimista. Optámos novamente pela sala vizinha do Castelo de São Jorge, na perspetiva de assistir às atuações de Thomas Anahory, Anarchicks e Balla.

Caberia a Thomas Anahory abrir a noite com os seus Groovys, iniciando o set com temas do seu álbum de estreia, antes do desfilar de temas de "Thank Your Lucky Stars", o seu disco mais recente, lançado em 2013. A forma mais ou menos cronológica como as canções foram apresentadas mostrou como a música de Anahory amadureceu do primeiro para o segundo disco. As canções influenciadas por ícones da música americana com Springsteen, Dylan ou Cash são interpretadas com muito sangue na guelra, com Anahory a demonstrar grande à vontade em palco, mesmo quando interpreta a solo baladas folk. No final da atuação o quarteto abordaria "What I Got" dos saudosos Sublime, trazendo um pouco do sol da Califórnia a este Festival de Inverno.


Fotos (C) Luís Macedo

Estava reservada uma plateia já bem mais composta para as Anarchicks, banda que vai arrastando para os seus espetáculos cada vez mais fãs. Numa fase em que a banda prepara o segundo álbum de originais, houve lugar à estreia de canções que em breve conheceremos em versão de estúdio e que tiveram uma calorosa receção da assistência. Assente num misto de rebeldia e simpatia, a atuação das Anarchicks tem como pontos altos a excelente "Restraining Order" e a já habitual cover de "Helter Skelter" dos Beatles. Destaque ainda para "Smashed" que com presença de teclado e percussão eletrónica, dá outra dimensão ao som da banda.



Subiriam de seguida ao palco os Balla, marcados por um som pop dançável, indicado para final de festa e que procura o equilíbrio entre os sons eletrónicos e o trio de músicos que acompanha Armando Teixeira. Muito interessante também a utilização do sample de "Rapaz Caleidoscópio" dos UHF em "Montra".


Ainda que não tenha sido um sucesso no que diz respeito à adesão de público, este evento veio mostrar o bom momento que a música portuguesa atravessa e que este pode ser um caminho a seguir. Projetos de qualidade não faltam, há que lhes dar visibilidade.

Reportagem | Festival de Inverno (dia 1)

Foto-reportagem | Anarchicks @ Westway Viva Lisboa

5 de março de 2014

Reportagem | Festival de Inverno (dia 1)

A primeira edição do Festival de Inverno, promovida pela Music in my Soul, decorreu no fim de semana de 21 e 22 de fevereiro em duas carismáticas salas da capital: o Santiago Alquimista e o Teatro de Bairro.

Na impossibilidade de cobrir os concertos que foram repartidos por palcos de duas salas relativamente distantes, optámos na primeira noite pelas propostas para o Santiago Alquimista.

Nick Nicotine abriu a noite, perante um batalhão de fotógrafos, com a sua Mystical Orchestra reforçada com a presença de um segundo e ilustre baterista (Fred dos Orelha Negra). Tocando as canções de um percurso com meia dúzia de anos, compilado em "77☽13" pela Optimus Discos, a Nicotine's Orchestra transporta-nos para os trópicos com a sua música, que ao mesmo tempo mantém a energia das guitarras elétricas.

Todas as fotos (C) Luís Macedo

Com uma sala mais composta seguiu-se a atuação dos MESA, os cabeças de cartaz da noite. A banda que tem agora como vocalista Rita Reis, apresentou-se em formato trio, que pecou por demasiado minimalista, com um guitarra e João Pedro Coimbra ocupado entre teclados e bateria. Apostando nas canções de "Pés que Sonham Ser Cabeças" de 2013, visitam aqui e ali os sucessos de uma carreira com uma década, como "Luz Vaga" ou "Cedo o Meu Lugar". Rita Reis, dona de um grande potencial, combina talento, simpatia e boa presença em palco e aventura-se ainda numa versão de “Wuthering Heights” de Kate Bush.


Para o final estava reservada a atuação do cantautor Walter Benjamin que subiu ao palco com o suporte dos músicos cúmplices no projeto Tape Junk. Num registo folk rock intimista, Walter Benjamin partilhou com o público as suas aventuras por Londres entre canções. Destaque para "Airports and Broken Hearts" e "Johnny & Lucy", antes do encerrar de festa com a belíssima "We might never fall in love".

29 de janeiro de 2014

Balcony TV Sessions #1 no Santiago Alquimista

O Santiago Alquimista recebeu no passado sábado a estreia das Balcony TV Sessions, evento mensal que levará a palco muitas das bandas nacionais que já passaram pela "varanda" da Balcony TV.


Depois da abertura da noite com João Lobo, subiu ao palco, de um Santiago Alquimista já bem composto, Ciro. Carregando a guitarra-baixo, Marte Ciro, antigo baterista dos Peste & Sida assume na perfeição o papel de frontman na sua banda. De postura descontraída, língua afiada que não poupa a classe política e grande interação com o público, Ciro vai cativando também com o seu punk rock, numa atuação irrepreensível de uma banda a rever.

Haveria tempo para atuação de Mulherhomem no palco secundário, trio que se apresentou no seu formato guitarra + bateria + voz, numa curta, mas intensa atuação.

Os Quartet of Woah! apresentariam-se de seguida, iniciando o concerto com um som deficiente, mas dando desde o início provas da sua enorme qualidade. Inspirados na estética do rock dos anos 70, nas suas variantes psicadélico e progressivo, os quatro músicos desfilam as canções do magnífico disco de estreia "Ultrabomb", em que se destaca a coesão do som da banda e que brilha ainda mais nos apontamentos individuais.  A atuação dos Quartet foi aumentando de intensidade, bem como a qualidade do som (depois de alguns ajustes técnicos), terminando em alta.

A fechar a noite, os Miss Lava, banda que apresenta já uma grande legião de seguidores que não desperdiça o momento para o bom do headbanging ao som do stoner metal dos lisboetas. Foi um grande final de festa, com direito a encore e muita interação com o público.


As próximas Balcony TV Sessions estão já marcadas para 8 de março na mesma sala lisboeta.

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Os discos nacionais para 2014 mais aguardados pelo The Music Spot

13 de janeiro de 2014

Trêsporcento ao vivo no Musicbox

Os Trêsporcento apresentaram no último sábado, no Musicbox, o seu "Lotação 136", disco registado ao vivo numa noite de comunhão com o seu público em maio de 2013.


Fotos: Luís Macedo

A festa na sala do Cais do Sodré haveria de começar com o concerto de Capitão Capitão, projeto de J. P. Mendes. O trio de músicos que fez as honras da casa teve uma boa receção por parte de uma plateia já bem numerosa.

Seria mais tarde uma sala com lotação esgotada a receber os Trêsporcento que se apresentam sem trejeitos de vedetas, abrindo logo com "És mais sede", uma das grandes composições de Tiago Esteves.

"Elefantes azuis" e "Pinheiros na Rússia", apresentadas de seguida mostram-nos como o bom indie rock pode soar bem cantado em português.

"Cascatas", resulta muito bem no pequeno Musicbox, mas é feita à medida de um grande palco de um dos maiores festivais, pois é uma daquelas canções que incendeia qualquer plateia.


Em "Espero", Tiago, Pedro, Salvador, Lourenço e António (como fazem questão de se apresentar) mostram-nos o quanto a banda cresceu desde a edição do EP de 2009, do qual o tema faz parte.

Para o encore, reservava-se o tema instrumental que dá nome ao disco ao vivo e que acaba por se tornar num dos momentos de maior intensidade da noite e ainda "O Grande Mentiroso", versão de uma canção de Capitão Capitão.

A fechar ouviu-se "Veludo", um dos emblemáticos temas banda e o mais pedido pelo público, numa versão um pouco diferente e em que João Gil subiria ao palco pela primeira vez.

Haveria ainda a apresentação dos Hombres con Hambre, de João Gil que se faz acompanhar de Zé Guilherme e José Vasconcelos Dias (elementos dos Brass Wires Orchestra que mostram aqui toda a sua versatilidade) em instrumentais dançáveis e com improviso saídos de dois sintetizadores e uma bateria, som perfeito para a hora a que o trio subiu ao palco.

Quanto à banda da noite, os Trêsporcento prosseguem a sua afirmação, sem queimar etapas e num crescendo que tantas vezes também se pode escutar nas músicas. Os lisboetas confirmaram também nesta  atuação que não é só em disco que são uma das bandas mais excitantes e "excitadas" do panorama nacional, recomendando-se totalmente a audição de "Lotação 136" e ainda mais ir vê-los ao vivo.

Parabéns também à Azáfama pela grande noite proporcionada a todos os que se deslocaram ao Musicbox.


4 de dezembro de 2013

Foto-reportagem | Vodafone Mexefest 2013

A fórmula do Vodafone Mexefest: de palco em palco, a música mexe na Cidade continua a ser um sucesso. Mais de 50 propostas musicais, emergentes bandas portuguesas e estrangeiras nos mais variados géneros musicais, movem os festivaleiros de inverno de porta em porta de emblemáticos edifícios da baixa lisboeta numa verdadeira maratona musical.

Eis o Vodafone Mexefest em fotos na edição 2013 que decorreu nos dias 29 e 30 de novembro.


Fotos: © Rute Gonçalves

9 de novembro de 2013

Miles Kane no TMN ao Vivo

Foi esta sexta-feira, 8 de novembro, que pela primeira vez Miles Kane se apresentou como headliner em palcos nacionais. O britânico veio promover o seu mais recente longa duração, "Don't Forget Who You Are", editado em junho último.

Coube aos portugueses The Doups aquecer os poucos que às 21h00 se apresentavam na sala do TMN ao Vivo, mostrando ser uma banda muito competente, com o seu indie rock bem rasgado assente num trabalho bateria poderoso.

A atuação de Miles Kane iniciaria-se com uma longa sequência de temas bem fortes como You're Gonna Get It, Rearrange, Better Than That e um Kingcrawler onde o baterista brilha impondo um ritmo alucinante, criando um grande ambiente na sala lisboeta, que já se apresentava bem composta. 

A presença cativante e expressiva do talentoso britânico vai enchendo o palco e a meio de Give Up, aborda Sympathy for the Devil dos Stones, deixando bem claro de onde vem muita da sua inspiração.

Don't Forget Who You Are seria a última a ser tocada antes de o quinteto deixar o palco, com uma assistência completamente rendida e que entoava o refrão do tema título do disco.

Miles voltaria pouco depois para tocar a solo Colour Of The Trap e chamar de seguida os seus "boys" para terminar em grande com uma enérgica interpretação de Come Closer.


Setlist
You’re Gonna Get It
Taking Over
Rearrange
What Condition Am I In
Quicksand
Better Than That
Kingcrawler
Give up
Darkness in our hearts
Take the night from me
My Fantasy
Tonight
Inhaler
Don’t Forget Who You Are
Encore
The Colour of the Trap
Come Closer


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Reportagem do Concerto de Homenagem a Lou Reed

2 de novembro de 2013

Músicos nacionais homenagearam o poeta do rock ontem à noite

Foi esta sexta-feira que alguns dos mais importantes músicos nacionais se reuniram em palco para interpretarem as canções de Lou Reed e dos Velvet Underground. O The Music Spot esteve presente e conta-vos tudo.

O evento organizado em tempo record e que decorreu num Largo do Intendente em Lisboa apinhado de público de diversas faixas etárias, teve como mentor Nuno Duarte (Jel), que viria a ser igualmente o mestre de cerimónias (e o aniversariante) da noite. Coube-lhe também interpretar o tema de abertura "Rock & Roll" que daria o mote para um desfilar das mais emblemáticas obras do músico nova-iorquino.

Alguns dos pontos altos da noite seriam as interpretações de Jorge Palma em "Walk On The Wild Side", JP Simões em "Sweet Jane", a versão de "Heroin" cantada, em parte, em português por Manuel Fúria e "Run, Run, Run" com JP Almendra (PunkSinatra) no momento em que o caos se instalou com Carolina Torres a liderar correria desenfreada em palco.


Foram quase trinta os artistas (JP Simões, Flak e Alexandre Cortez (Rádio Macau), Samuel Úria, Carlos Martins, Manuel Fúria, Anamar, Nuno Duarte e Vasco Duarte (Homens da Luta), Tiago Bettencourt, Carolina Torres (The Girl In The Black Bikini), João Pedro Almendra (Punk Sinatra), Rita Redshoes, Celina da Piedade, Tiago Gomes, Cat e Ana Moreira (Anarchicks), Armando Teixeira (Balla), Pedro Lousada (Blasted Mechanism), Zé Pedro e Tim (Xutos e Pontapés), Micro Audio Waves, Manuel João Vieira, O Martim, Jorge Palma e Rui Reininho) que tiveram o privilégio de mostrar a um público entusiástico as suas versões das cações de Lou Reed.

Ao fim de hora e meia o set chegaria ao fim, havendo de seguida direito a encore com a segunda interpretação das mesmas canções, para delírio da assistência, prolongando a festa noite adentro. Foi aí que o ambiente aqueceu ainda mais neste memorável Concerto de Homenagem a Lou Reed...

© Vitor Sá Ramos 

Setlist
Rock & Roll (Jel)
 Sweet Jane (JP Simões)
Satellite of Love (Tiago Bettencourt)
Vicious (Tim e Zé Pedro)
Pale Blue Eyes (Flak)
Heroin (Manuel Fúria)
All Tomorrows Parties (Celina da Piedade e Alex)
After Hours (Micro Audio Waves)
Waiting For My Man (Armando Teixeira)
Femme Fatale (Paulo Furtado e Rita Redshoes)
Sunday Morning (Carolina Torres e Cat Anarchick)
Run, Run, Run (Pedro Lousada, JP Almendra e Samuel Úria)
Dirty Boulevard (Tiago Gomes)
Make Up (Manuel João Vieira)
Goodnight Ladies (Anamar e Manuel João Vieira)
Take a Walk on the Wild Side (Jorge Palma)
Perfect Day (Jorge Palma e Rui Reininho)

© José Frade

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26 de outubro de 2013

Ana Moura e António Zambujo no CCB - O Fado entregue a grandes vozes

Foi a 25 de outubro que Ana Moura e António Zambujo se apresentaram no há muito esgotado Grande Auditório do CCB para um espetáculo integrado no ciclo "Há Fado no Cais" e que uniu dois dos maiores talentos do Fado.

O concerto começaria com António Zambujo a interpretar alguns dos seus temas, que daria depois lugar à fadista da voz grave e pose sedutora.

De seguida Zambujo empresta "Flagrante", um dos seus temas mais emblemáticos, e o alentejano fica a deliciar-se com a poderosa interpretação de Ana Moura.

Ana Moura é desafiada a cantar uma morna onde encaixa a sua voz grave na perfeição com Jon Luz, um dos músicos convidados, a dar o mote no cavaquinho.

A dupla deixaria depois o palco, dando o devido destaque a uma banda composta por dez elementos e que interpreta um fabuloso instrumental.

No regresso, mais cumplicidade entre os dois fadistas e um convite para uns passos de dança de Zambujo a Ana Moura, para um dos muitos belos momentos da noite.


Na parte final da atuação a banda é apresentada e Ana Moura é interrompida por um "Não vás embora!" de uma voz feminina da plateia, porta-voz de todos os que enchiam a sala.

O concerto não terminaria sem a "Lambreta", o tema mais pedido da noite, e em que sozinho em palco Zambujo brilharia com o seu estilo muito pessoal, brincando com os silêncios e a cadência da canção. Um dos temas mais celebrados da noite, e que foram muitos.

Ana Moura, num estilo oposto arrebata com "E Tu Gostavas de Mim", apelando à participação do público que bate palmas rendido ao talento, simpatia e sensualidade da fadista.

Noite memorável que provou que o Fado está em boas mãos e em grandes vozes, que conseguem cativar públicos heterogéneos com a capacidade que ambos têm de vestir a canção lisboeta com outras roupagens.

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28 de setembro de 2013

Hot Stuff na festa do hard rock nacional

Foi na passada quinta-feira que os Hot Stuff se reuniram para o primeiro de dois concertos comemorativos dos 20 anos do lançamento de "Kind of Crime" um dos discos hard rock nacional de maior sucesso.

O palco escolhido foi o do Hard Rock Cafe Lisboa, numa noite em que apresentou casa cheia para assistir à Warm Up Party dos Hot Stuff, dois dias antes de subirem ao palco do Coliseu onde abrirão para Russ Ballard e Gun.


A banda apresentou os membros originais Marcelo Vieira Rodrigo Leal e Mário Peniche, tendo sido convidado o guitarrista Alexandre Hard para o lugar de Solly Hazan, o único ausente da primeira formação.

Não faltaria uma secção de metais de três elementos, que preencheu temas com sonoridade mais funk como "Billy Boy" ou "On My Phone". O exíguo palco tornava-se então pequeno para os sete músicos, mas nem isso prejudicaria a performance da banda.

Marcelo Vieira, o frontman original, com um visual radicalmente diferente daquele com que era visto no princípio dos anos 90, mantém a sua capacidade vocal atingindo os registos mais agudos com a mesma precisão.

Desfilaram vários temas do primeiro álbum, antes de ser chamado ao palco Mauro Coelho, a voz que gravou em 1994 o segundo LP, "Things Like That". Mauro cativa com a sua voz igualmente poderosa em "Boogieman", antes de dois dos momentos altos da noite: a cover de "Let's Get Rocked" dos Def Leppard em dueto entre Mauro e Marcelo e "Hot Stuff" o tema que levou os levou aos tops nacionais há duas décadas.

A memorável noite prolongar-se-ia com a interpretação de mais um tema da cada um dos álbuns da banda e para fim de festa os Hot Stuff partilhariam o palco com músicos convidados. Ouviriam-se então alguns dos hinos hard rock de Van Halen, Def Leppard e Deep Purple. Neste último a voz de Rodrigo Leal encaixaria na perfeição, demonstrando manter excelentes dotes vocais, para além de continuar um enorme músico atrás da bateria.

Resta a oportunidade de os verem esta noite, 28 de setembro, no Coliseu.

Setlist do concerto

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